Uma carta de reflexão sobre a dor de crescer, de se redescobrir e desapegar do que se foi

Esse post vai sair depois de muita reflexão, receio, observação própria, lágrimas e sorrisos. Mas eu sinto que ele precisa sair, porque acredito que não sou a única que passou (e passa) por isso.


Sou uma mulher que desde muito cedo decidiu empreender. Criei a Cantrelle aos 21 anos com a sensação que era isso, eu ia dominar o mundo em questão de meses, as pessoas veriam minha genialidade e estaria na Forbes aos 25. Bom, estou com 26 e nem a Pequenas Empresas e Grandes Negócios me notou ainda.


Os anos foram passando, fui descobrindo que "sei que nada sei" e fui me frustrando, me desestimulando... Ouvindo dos meus pais que seria bom eu procurar um emprego, vendo amigas noivando, casando e fui me sentindo infantil por ainda sonhar que minha empresa, meu sonho, não passava de uma insistência, uma luta entre eu e o mundo para eu provar que era capaz.


Pois procurei um emprego. Em junho de 2020 assinei meu primeiro contrato. Aprendi muito, mas também senti que estava murchando, que não era mais quem eu costumava ser. Parei de me expressar como gostava, me sentia constantemente julgada ou ao ponto de ser olhada de cima a baixo. Passei a tentar agradar demais. Isso tudo somado a loucura da quarentena que eu chamo de eterna-tena (até porque os quarenta dias já se tornou um ano e contando).

Estava eu imersa num mundo predominantemente masculino, mais velho e padrão. Eu sentia que estava aprendendo algo bom, principalmente porque meu emprego envolvia aprender sobre administração de negócios, mas também era gritante como eu não me sentia confortável.


E isso se espelhou para minha relação comigo mesma. Seria eu uma pessoa que não queria crescer? A confirmação de que nunca faria parte do clubinho dos "adultos"? Estava eu fadada a passar o resto dos meus dias vendo anime, ouvindo kpop e descontando as frustrações na comida?


Afinal o que é ser adulto?


Foi nessa pergunta que fiquei por meses. Não sabemos realmente o que é ser adulto, pois não é uma idade, nem um comportamento, nem um pensamento ou uma ação. Passei a entender, observando a mim e aos outros, que ser adulto é criar responsabilidade e aceitação do que se é.


Você responde por si agora, assume quem você é no mundo e encara que nem todos vão entender e aceitar, e você vai ter que enfrentar isso com a certeza que sabe o que quer dessa vida, onde quer chegar, como quer viver e quem quer do seu lado.


Dá medo. Muito. Mas é gratificante quando você olha em volta e tem tanta gente que te apoia, que pensa como você e num mundo globalizado somos cada vez mais - quem está lendo esse post sem nunca ter me visto?


Crescer dói, mas eu prometo que a dor ensina e, no fim, ela vai ter sabor doce e tudo vai ter valido à pena.


Não desista de ser quem você é, muito menos de querer ser melhor, mais, maior, única.


Beijos de luz,